Cavalo de Guerra

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Enviado por Luciana em qui, 01/05/2012 - 23:37

Se no ano passado Spielberg deixou sua marca produzindo filmes como Super 8, Cowboys & Aliens, Transformers – O Lado Oculto da Lua, etc., mal começamos 2012 e Cavalo de Guerra – adaptação do romance homônimo de Michael Morpurgo – a obra dirigida e produzida pelo criador de E.T., Tubarão e outros tantos filmes, nos encanta com sua beleza e força (e ainda esse mês teremos a estreia do aguardado As Aventuras de Tintim). 

De início já podemos perceber o excelente trabalho da direção de fotografia de Janusz Kaminski, pois a tomada aérea das fazendas, campos e montanhas é simplesmente incrível, tamanha a beleza. Um garoto observa alguns homens auxiliando uma égua a parir seu filhote e, quando o pequeno potrinho ganha os campos, o olhar deste garoto se ilumina, como se aquela cena fosse para ele o que de mais emocionante poderia existir. É claro que os animais têm sentimentos e muitos são extremamente inteligentes. E neste caso o pequeno animal não poderia ficar indiferente à alegria do garoto.
 
 
Albert Narracott (primorosamente interpretado pelo estreante Jeremy Irvine) é o garoto de quem falamos. Rose e Ted, seus pais (também com excelentes atuações de Emily Watson e Peter Mullan, respectivamente), são arrendatários de uma fazenda cujo dono é Lyons (David Thewlis), figura importante na cidade. Os leilões de animais eram comuns na época, e é justamente em um desses leilões que Ted adquire Joey, o potro por quem Albert havia se encantado anteriormente, e desde o início nasce uma grande amizade entre os dois. Albert o cria e o treina. Quando os dois são obrigados a se separarem em função do início da Primeira Guerra Mundial, passamos a observar a trajetória de Joey e todos que ele encanta pelo caminho.
 
  
 
A direção de Spielberg beira à perfeição nesse longa. Cada detalhe é escolhido e executado com elegância. Essa história poderia cair no simples, no mais do mesmo, caso não fosse colocada da forma exata. E o que mais surpreende nesse ponto é o fato de que acompanhamos o filme pela visão de Joey, o que faz com que vislumbremos os acontecimentos da Primeira Guerra Mundial mais abrandados pela inocência do animal. O equino é extremamente inteligente e todos os que compartilham de sua companhia, por menor tempo que seja – soldados alemães, a cavalaria britânica, uma garotinha neta de um fazendeiro francês – de imediato o admiram e o amam. O Capitão Nicholls (Tom Hiddleston) é só o primeiro desses a se afeiçoar a ele, já que Joey é o seu companheiro quando vai para a guerra. 
 
Todo campo de batalha é triste, é doloroso. Execuções acontecem e soldados se enfrentam. Este poderia ser mais um filme sangrento de guerra, quem sabe outros diretores fariam questão de nos mostrar de frente o horror. Spielberg, ao optar nos colocar por trás dos olhos de um animal, nos mostra esse horror de outra forma. E principalmente, pelo fato de os acontecimentos serem vistos na ótica dele, não existe soldado bom ou soldado mau, todos são soldados e pronto. O bicho não distingue isso, e o diretor faz questão de colocar os uniformes dos oficiais quase idênticos de ambos os lados, justamente para reforçar essa ideia.
 
Outro ponto forte a ser ressaltado é a excelente montagem de Michael Kahn, a sequência que vemos no campo de batalha é de uma qualidade invejável. E o resultado não poderia ser melhor já que vem acompanhado da bela trilha de John Williams. Tudo isso é claramente amparado pelo excelente roteiro de Lee Hall e Richard Curtis.
 
 
O clímax da história ocorre em meio a uma terra de ninguém, em meio aos destroços deixados pelo enfrentamento dos soldados. E não é só isso, por mais que existam cenas emocionantes (e elas não são poucas), elas não soam piegas, e tudo é apresentado de uma forma tão coerente que não tem como não se emocionar. Uma das cenas mais lindas ocorre com Joey e Topthorn, um lindíssimo cavalo preto que Joey conheceu na guerra, em um momento em que acreditamos que os animais realmente parecem se comunicar. A tomada final é extremamente poética e me lembrou uma cena em especial do clássico E O Vento Levou (1939). 
 
Cavalo de Guerra não é apenas mais um filme de Spielberg, é uma aventura épica de extrema qualidade. Direção, montagem, roteiro, fotografia, atuações, nada deixa a desejar. É um filme de arte, assim posso dizer. E não será de se espantar se retornar das premiações com algumas condecorações, dentre as quais destacaria a de direção, pelo brilhante trabalho realizado neste longa.  

Poltronas 

5

Comentários

imagem de julia teixeira goçalves

Enviado por julia teixeira ... (não verificado) em dom, 02/05/2012 - 11:10

o mais bonitos e o cavalo preto,e o branco!!!!!!!!!

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