De Deborah Kerr a Kate Winslet, por que as mulheres continuam sendo inferiorizadas no cinema?

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Enviado por Ghuyer em seg, 03/11/2013 - 15:28

Nessa madrugada eu vi "Tarde Demais Para Esquecer". Um romance incrivelmente divertido e protagonizado por Cary Grant e Deborah Kerr, os dois esbanjando uma química de dar gosto e inveja.

Os dois se apaixonam mesmo já estando comprometidos, mas prometem se reencontrarem em seis meses. Só que (SPOILER a partir daqui), quando chega o momento, ELA sofre um acidente grave, e não consegue ir ao encontro DELE, que fica a espera da moça.

Tudo bem que no final eles ficam juntos e felizes, mas o que me chamou atenção foi o fato de que é a mulher que se ferra no processo. Por mais que o roteiro construa uma personagem forte, que encontra eco na performance consistente de Deborah Kerr, a narrativa não consegue fugir à decisão de fazer a mulher sofrer por desistir do casamento pré-agendado em favor de outro amor, genuíno.

E esse filme é de 1957. Ok, são umas seis décadas atrás. O machismo era muito mais comum na época. É compreensível que uma obra de arte dos anos 50 esteja impregnada por uma dose de machismo, ainda inconsciente.

Mas então eu lembro do recente "Foi Apenas Um Sonho", de 2009, (SPOILER) em que tanto marido quanto esposa traem um ao outro, mas é a mulher, interpretada por Kate Winslet, que sofre um aborto espontâneo e acaba morrendo no final. UPDATE: o aborto é intencional e não espontâneo, mas ela sofre igual; mantenho meu argumento.

Aí eu me pergunto: até quando as mulheres (mesmo as ficcionais) vão ter que sofrer ou morrer por questões banais para que todos os homens percebam que elas não devem nada a nós e que não devem ser tratadas como inferiores?

O que me assusta e me deixa triste é que eu não sei a resposta. Mas acho que infelizmente ainda vai demorar.

Comentários

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Enviado por Giordano em ter, 03/12/2013 - 22:42

Eu acho que o exemplo de "Foi apenas um Sonho" é infeliz

até por que é um filme que até discute a relação dos gêneros, e põe isso na berlinda

O filme é um estudo de personagem, não enxergo nenhum viés machista. 

Claramente, o Frank se conforta na mediocridade. A April não. Por isso, ela pratica um ato de agressão contra si mesma (o aborto forçado). Não é um castigo narrativo pela traição dela.

 


"Tarde demais para Esquecer" pode até ser ser um exemplo cultural da sociedade machista da época
Mas "Foi apenas um Sonho" não me parece, em nenhuma instância, um sintoma de permanência do machismo.

 

Pelo contrário!

 

É uma visão até esclarecida dos papéis do homem e da mulher na não-concretização do american dream dos próprios anos 50

 

Logo, joga uma luz em cima da época da qual o teu primeiro exemplo é resultado.

 

Se tu pegar filmes do Nicholas Sparks ou os Twilight da vida...Nesses, tu pode perceber essa permanência da inferioridade do

gênero. Mas no filme do Sam Mendes não.

 

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