A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 2

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Enviado por Maza em sex, 12/07/2012 - 15:59

E tudo começou em 2008. Nos cinemas ao menos. De lá para cá, todo ano temosum novo capítulo de uma saga de falsos vampiros, de um moreno que sente calor a todo omomento e tira a roupa, de uma garota que não sabe se vai com o vampiro ou se fica com o lobisomem. No final de 2012 enfim, temos o fim da “Saga” Crepúsculo. A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 2 realmente consegue sersuperior aos seus antecessores. Embora você afirmar que a bosta do cachorro cheire menos que o excremento do cavalo não faz muita diferença: tudo exala fedor, no fim das contas.

Em Amanhecer - Parte 2, observamos logo nos primeiros minutos a necessidade de se prolongar aquela tortura por mais tempo que o habitual: para os fãs é o último momento com seus personagens quase que vazios e desprovidos de construção criativa queridos. Para o público em geral, é maçante ver uma abertura de quase 5 minutos em que se observam inúmeras cenas de florestas, de plantas, de lagos... tudo isso com zoom in, zoom out, plano aberto, plano fechado. Cores vivas, cores neutras... tudo isso para mostrar que Bella se transformou em uma vampira e seus sentidos estão mais aguçados, detalhistas, minimalistas. Ela escuta o som de uma coruja a km de distância, ela olha onde nenhum ser humano conseguiria observar a olho nu. Em outras palavras: tudo que a abertura mostra de uma maneira geral, é repetido só que na visão de Bella (sim, é preciso deixar tudo beeeeeeeeem mastigado para o público principal: tudo explicado em uma bandeja. E com uma garrafa de true blood um copo de sangue junto, se possível). Bella também precisa conter seus novos impulsos, não pode atacar qualquer ser humano à procura de sangue. Pobre Bella. Pior que isso é ter uma filha que cresce rapidamente e de maneira quase que inédita, sem explicação. Bom, ao menos o fato de Renesmee (que nome, que nome... e ainda há quem fique indignado quando a garota é chamada de Ness... ora, melhor o nome do monstro do lago do que o outro, convenhamos) crescer rapidamente nos poupa de momentos constrangedores nesse último filme: sua versão infantil, realizada por efeitos especiais é nitidamente falsa, artificial e longe de ser algo palpável. Vergonhoso até.

A história do filme? Ah sim, a história. Ao menos dessa vez não temos uma disputa bipolar/poligâmica de com quem Bella ficaria ou sente prazer (vampiro purpurina 1 x lobisomem calorento 0). Dessa vez observamos que Ness é o alvo, é a bola da vez. Os Volturi a querem, pois sua existência é considerada por eles um crime. Ela precisa provar para todos os vampiros possíveis que ela não é imortal, que ela é fruto da concepção de um humano com um vampiro, gerando um ser meio mortal, meio imortal. Essa comprovação se dá quando Ness toca o rosto deoutras pessoas e que assim consegue expor a verdade. Sim, esse é o dom dela. É claro que os vilões, os Volturi, não aceitarão o fato de ela existir e desde o primeiro ato já imaginamos: no terceiro ato do filme vai rolar uma treta daquelas, uma peleia braba, uma briga de vampiros do mal contra vampiros do bem, aliados a lobisomens.

Nisso observamos mais um momento bizarro do roteiro de Melissa Rosenberg, baseado na obra máxima da “gênia” Stephenie Meyer: seus vampiros são pessoas estilo mutantes da Marvel, cada qual com poderes especiais. As vampiras da Amazônia (Helloooooooo Brazil!) cegam as pessoas, o indiano faz o que quer com elementos tipo água, terra e outros, a loira dá choque nos demais... é uma excentricidade e tanto, é uma mistura de tipos os mais variados. E Bella tem o poder da proteção, cria uma espécie de escudo que com treinamento pode passar para outras pessoas.  Todos estão se preparando para a grande batalha, caso ela precise mesmo ocorrer.

Nesse último filme, não podemos esquecer de falar um pouco das atuações. Kristen Stewart finalmente consegue se desvincular daquela cara de tansa eterna, da Bella pura e de olhos castanhos. A Bella vampira de olhos vermelhos é mais comunicativa, intensa, mais... solta é a palavra. Isso facilita sua atuação. Não podemos dizer o mesmo de Robert Pattinson, pois seu Edward continua com as mesmas feições, os mesmos trejeitos, a mesma artificialidade dos outros filmes. Taylor Lautner, por sua vez, tem sua melhor atuação desde o início da saga, e ajuda o fato de o roteiro não o fazer tirar a roupa com 10 segundos de filme. Melhor que isso, quando o faz, acaba fazendo meio que de forma constrangida, como por obrigação (nitidamente um trocadilho, uma figura de linguagem em comparação ao que é feito nos filmes anteriores, só para arrancar gritos das adolescentes fervorosas).  Mesmo que tenhamos dezenas de personagens na história, não posso deixar de destacar a atuação de Michael Sheen. Mesmo que sua participação seja menor que a dos demais ‘bonzinhos’, é fato que o mesmo parece estar achando graça, se divertindo com seu Aro, tanto em momentos de seriedade, como principalmente naqueles em que pequenas risadas são soltas como que em tom de deboche e sarcasmo. Para uma “saga” de qualidade duvidosa, é mais do que louvável sua atuação (embora alguns possam considerar desperdício um ator como esse nessa história... não posso discordar de quem pensa assim).

Mas depois de uma noite calma, é na proximidade do amanhecer que tudo muda. De cara observamos um plano em que tudo é branco. O plano aberto se amplia e observamos o campo de batalha preparado: neve, vento, ausência de sol. De um lado, vampiros e lobisomens. Do outro, os Volturi chegando em câmera lenta e alguns closes em seus passos e seus olhares sedentos por guerra, sangue. Morte. E que comece a batalha! E nesse ponto é preciso reconhecer os méritos do confronto. A batalha é muito bem orquestrada, auxiliada por cortes e planos variados, observamos tudo de todos os ângulos. E as perdas não se restringem a personagens coadjuvantes, trazendo perdas surpreendentes e por que não dizer, chocantes. Como alguém já disse, cada decisão que tomamos gerará consequências positivas ou negativas: após tomada a decisão, não há mais volta. Só que não. No Universo da “Saga” Crepúsculo não funciona assim.

A conclusão da ‘épica batalha’ me faz lembrar alguns nomes como dos criadores/produtores Chris Carter (de Arquivo X) e Carlton Cuse, Damon Lindelof e J. J. Abrahms (de Lost). Lembro que em meio aos mistérios, histórias sendo desenvolvidas e cada vez mais complexas, sempre que alguém questionava como a história acabaria, alguém soltava algo como: ‘no último episódio, nos últimos 10 segundos o personagem principal irá acordar e saberemos que tu não passou de um sonho’. E então os fãs enlouquecidos falavam que se isso acontecesse iriam com tochas, martelos e outros quebrar tudo dos criadores das séries, que um final assim seria o absurdo, um Deus Ex-Machina, uma atitude covarde e rasa. Pois bem, a batalha épica do último filme não faz parte de um sonho, vampiros não costumam sonhar, vampiros costumam ....... (complete aqui o que acha que possa ter acontecido). Infelizmente uma cena decente, um confronto de qualidade é reduzido de forma ridícula, tanto que em uma sessão lotada era nítido o coro de pessoas rindo do fato ocorrido no terceiro ato. A decisão tomada pelo diretor Bill Condon e sua equipe de roteiristas é uma loucura, é um devaneio, é ‘um sonho de uma noite de verão’ (apenas parafraseando o Bardo Inglês William Shakespeare, que também  tem menção importante nesse filme, com a obra “O Mercador de Veneza”)... a decisão, no fim, é um desrespeito para com a sua plateia.

Não satisfeito com os acontecimentos mostrados de maneira exaustiva e arrastada nos 4 longas anteriores, Amanhecer - Parte 2 traz em seus minutos finais um flashback mostrando toda a paixão de Bella por Edward ao longo do tempo. Mesmo que tal passagem possa ser justificada pelo poder paranormal de Bella, exibir isso no filme não se justifica de maneira plausível, é apenas mais uma enrolação, um mais do mesmo para crepusculetes e cia: a saga está finalmente terminando.

No fim, Amanhecer - Parte 2 encerra como sendo o melhor filme da “Saga” Crepúsculo. O que como bem informamos lá no início, não quer dizer muita coisa. Ao menos agora nos resta aguardar pelos próximos filmes de falsos vampiros. De preferência sem virarem purpurina ao contato do sol e muito menos serem vegetarianos... da próxima vez queremos apenas que respeitem Bram Stoker e toda a criação da história desses seres noturnos: da próxima vez queremos filme de vampiros! Simples assim.

Poltronas 

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